Que chamo o cheio, vazio

domingo, 3 de agosto de 2008

I

Mas quem eu quero enganar
Se é você que melhor me conhece
E sabe que me dou tão pouco com amar

Que ajudo a buscar nos outros o que não acho em mim
Que ao ver a tristeza me escondo sob a fria imagem de paz
Que sou medrosa demais para competir

Que apelo pra Deus quando me falta argumento
Que não conheço nada a fundo e por inteiro
Que gosto mais de bicho que de gente
Que morro de ciúmes e acho feio?

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II

Pensei que a tristeza trouxesse mais dor que alívio
Mas ela me surpreende
Tão desacostumada, despreparada, despercebida
Que chega, toma de assalto e me rende

O preço? A carne, o sangue e a vida
Mas já não existe vida, nem sangue e nem carne capaz de se dar
O que chamava vazio era cheio
Tão cheio quanto uma sala cheia de ar

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III

Num primeiro momento eu chorei
Senti o chão sumir por instantes
Dividi a tristeza
Falei, chorei, falei

Em seguida foi a vez de ser forte
Orgulhosa, confiante e destemida
Sou boa em fingir estar bem
Incapaz de me mostrar ferida

Depois me senti fabulosa
Aliviada do peso do amor
Coração no rosto
E o sorriso aberto

Só que ninguém parece bom o bastante
E sei que ninguém é perfeito
Então o que fazer com tanto vazio no peito?

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1 recadinhos:

Anahnda disse...

Se ve que eres una chica bastante especial. Saludos desde España

 
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