Barbie

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Posso não ser o exemplo de mulher frágil, delicada, feminina. É, realmente não sou, e nem nunca fui quando criança. Era do tipo que subia em árvores, batia nos meninos, vivia descalça, soltava pipa, até bolinhas de gude eu tive. Mas sempre amei Barbies.
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Uma parede inteira do meu quarto era reservada para as coisinhas da Barbie. Móveis, carros, acessórios... Usava aqueles livrinhos da Disney (com capa colorida, que vinha com uma fita cassete) como divisória dos comodos da casinha e montava tudo.
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Sempre fui criada sozinha, como filha única, então quase não tive jogos (Banco Imobiliário, Cara-a-Cara, Jogo da Vida) e o melhor brinquedo para meninas que brincam sozinha são bonecas. Mas não aquelas bonecas grandes, com mamadeiras e panelinhas. Essas não. Com essas o máximo que eu aprenderia ser seria dona de casa e mãe.
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Meu negócio sempre foram as Barbies.
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Desde a primeira que ganhei em 1986, com apenas 2 aninhos. Era uma Barbie com roupa de ginástica, macacão azul (tenho ele até hoje!), polainas, short vermelho. Linda! Mas num momento de birra a joguei na parede e ela quebrou o pescoço. E quem já teve Barbie sabe o quanto elas ficam rídiculas depois que quebram o pescoço! Ficam com a cabeça enterrada nos ombros. Muito feias!
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Em seguida ganhei a Barbie Alta Costura, que usava um imenso vestido azul, nem anos 80, com mangas bufantes e transparentes, mas a boneca em si era realmente feia. Essa foi para o Salão de Beleza dar um trato e voltou careca com maquiagem feita de canetinha. E por falar em salão... Ele era lindo! O secador de cabelos saía vento de verdade, a luz em cima do espelho acendia. Ganhei de Natal em 1989.
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Em 1990 foi a Cama dos Sonhos e a Moto da Barbie, que jamais fez barulho de moto de verdade como vinha escrito na embalagem e o capacete era apertado demais, sempre saltava da cabeça da boneca por conta da pressão. Minhas Barbies eram motoqueiras, executivas, viviam em festas com as amigas. Nunca tive uma cozinha da Barbie, nem lavanderia e nem nada do gênero que lembrasse afazeres domésticos (talvez por isso eu não saiba lavar e cozinhar até hoje!).
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O presente da vez, em 1991, foi a Sorveteria da Barbie, que apesar de imensa e linda (e fazer sorvete de verdade!) foi um brinquedo sem graça, muitas pecinhas minúsculas que se espalhavam pelo quarto. Dava preguiça de arrumar depois. Ganhei o Ken e sua filhinha da Família Coração, a roupa dele era um terno cinza e vinha com uma aliança dourada pintada na mão esquerda. Ele era casado.
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Nos anos seguintes foram a Banheira e o Toalheiro, a Cama Laços e Rosas, o cavalo, a Barbie Baile e Balé, a Barbie Sereia (que a cor do cabelo mudava de acordo coma temperatura da água), a Barbie que fala (4 frases: Adoro Nadar!, Gosto da escola!, Quem é o seu cantor favorito?, Vamos fazer novas amizades!). Essa última tenho até hoje, embora não fale mais e tenha alguns piercings e tatuagens pelo corpo, continua linda.
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Mas acredito que o que mais desejei na vida em termos de brinquedos, foi o Motorhome da Barbie. Ele era imenso e acoplado a um carro, que desengatava e virava um carro de passeio, com cinto de segurança, restrovisores e tudo mais. Foi o melhor presente! E o último ítem da casinha do qual eu me desfiz há poucos anos atrás.
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Eram infinitas as possibilidades de brincadeiras, e projeções da realidade, com essas bonecas, sapatos, roupas, móveis, carros, casas. Mantive minha 'casinha' montada até meus 15 anos...
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Hoje quardo apenas o Ken, a Barbie que fala, a Barbie Lingerie Exclusiva e a filhinha do Ken. Todas as outras Barbies, Skippers e demais bonecas e utensílios dei para minha sobrinha. Mas confesso ainda ser apaixonada. E às vezes me pego pensando que se houvesse a Porta da Esperança ainda, meu desejo não mudaria: Coleção completa da Barbie!


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Apologia à mentira?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Será que mentiras são de todo ruins?
Pode ser que elas sejam ruins somente pelo “tirar o chão”, e não pelo que é dito em si.

Uma mulher não fica magoada porque seu marido, ou namorado, esteve com outra em vez de estar trabalhando, mas sim porque, de repente, a realidade que ela vivia se tornou irreal.

Uma mãe não fica brava com o filho porque ele disse que dormiria na casa de um amigo e acabou indo para uma festa. Ela fica brava porque não teve o controle sobre a situação. “E se acontecesse algo ruim?”.

Uma moça usa um vestido simplesmente horrível em seu casamento e suas amigas lhes dizem: “Que lindo seu vestido! Você é a noiva mais bonita que eu já vi!”. Ora, isso é mentira! Mas que importância tem a mentira nesse contexto? Essa é uma boa mentira, que faz com que o casamento da tal amiga seja uma data perfeita, em todos os detalhes. Pra quê fazer a moça encanar no vestido bem no dia do casamento?

As pessoas vivem seus dias inventando pequenas mentiras para si mesmas desde criança quando fazem comidas imaginárias, são personagens imaginários. Mentirinhas que tornam a vida mais alegre. Que tornam a vida de quem se tem carinho mais alegre.

“Eu tenho um fusca. Ele tem 37 anos e está absolutamente lindo!”
É óbvio que é mentira! Nenhum fusca com 37 anos estaria lindo, mas não tenho como ter outro carro no momento, então me conforto exagerando as qualidades.

A mentira acaba nascendo da dualidade instintos x amor/afeição/interesses. Não há como amar a sinceridade, a espontaneidade. Elas são até engraçadinhas no começo, mas com o tempo se tornam irritantes e destroem um pouco da auto-estima... Os seres-humanos precisam perpetuar a espécie e viver “harmoniosamente” com seus iguais.

Se um cara responde positivamente à pergunta de sua esposa sobre ela estar gorda, só irá causar atrito desnecessário.

Se eu disser para o meu chefe que ele é um babaca e que acredito ser totalmente desnecessário cumprir esse planejamento que ele demorou semanas elaborando, posso perder o emprego.

Por que uma garota diria para o seu atual namorado que o ex era melhor na cama? Que importância teria?

A mentira em si definitivamente não importa! O desagradável é saber que não estamos no controle. A mentira nos mostra isso. Nos coloca em nossos lugares, sem comando sobre a vida de alguém.

Se nem para rebater as mentiras conseguimos ser sinceros: “Mas você me disse que ia ficar em casa assistindo filme e que não queria sair, pode ir se explicando!”.

Quando na verdade o que deveria ser dito é: “Estou me sentindo idiota por você não querer sair comigo, isso sim me magoou”.

O que vai gerar outra possível mentira como resposta: “Mas eu estava assistindo filme, daí os caras passaram em casa e ficaram insistindo pra eu ir com eles na festa”.

“Ah! Então você faz tudo o que eles querem?”.
Pronto! A possibilidade de discutir a verdade vai por água abaixo. A discussão toma um rumo fictício e as pessoas passam horas discutindo mentiras, sabendo que são mentiras, pois é mais fácil assim. Protege.

Em vez de ficar triste e dizendo aos quatro cantos o quanto odeia a mentira, não seria mais simples parar pra pensar no que motivou a mentira?

Afinal, posso não ser uma pessoa que transpira confiança a ponto de merecer saber da verdade. Ou então, a pessoa que mentiu fez isso porque não quis me magoar e ainda não tem maturidade suficiente para assumir seus atos. Algumas vezes pequenas mentiras servem para cobrir atos que não têm importância para quem os cometeu a fim de preservar uma situação realmente importante...

Não sei.

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Vontade de mudar

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Hoje eu acordei com vontade de mudar.
De não ser mais quem eu sou.
De esquecer quem eu gostaria de ser.

Acordei com saudade do meu cabelo longo.
Do meu cabelo loiro.
Do meu cabelo castanho.
E até mesmo do meu cabelo longo sem chapinha e escova.
Armado. Enrolado.


Passo as mãos nele e não sinto possibilidades.
Será que uma peruca ruiva, Jessica Rabbit, resolveria meu problema momentâneo de identidade?
Dizem que os cabelos curtos são para mulheres seguras
Que se importam pouco com as opiniões alheias. Será?

Ahhhh... Nesse momento eu gostaria de ser loira.
Gostaria de ser aquele estereótipo loira-gostosa-burra...

E amanhã eu voltaria a ser a morena de cabelos curtos,
Auto-confiante...

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Visitantes inusitados!

sábado, 14 de junho de 2008

Há algum tempo coloquei no blog um ‘esquema’ que me permite saber de onde vêm os visitantes, isto é, a maneira pela qual eles chegam até o blog (de qual site vieram, que termos usaram para a pesquisa no Google, Altavista, entre outros), e também o número de IP, o país, a região, bem como o que foi lido no blog... E estou me surpreendendo cada dia mais!

Existem basicamente 5 tipos de visitantes:

1º. Chegam ao blog através do Orkut.
Desses alguns são amigos, outros curiosos que talvez tenham se interessado pelo meu perfil e querem saber um pouco mais de mim, e com certeza existem também aqueles que entram por entrar apenas. O que dá uma média boa de visitas diárias.

2º. Têm o blog adicionado aos favoritos.
São poucas visitas. Um e outro mais chegado deve fazer isso, porque tem interesse em ler algumas babaquices que escrevo aqui, alguns sentimentos... Devem adicionar somente porque têm alguma consideração por mim, nem tanto pelo conteúdo do blog.

3º. Chegam através de palavras chaves como Maya, Hinduísmo, Trimurti, etc.:
Esses têm interesses específicos, objetivos, sobre a filosofia oriental. Alguns voltam, nem todos.

4º. Chegam através de palavras chaves subjetivas como Amor, Perda, Dor, etc.:
Esses caem aqui de pára-quedas. Dão uma olhada, talvez num momento de dor, e nunca mais aparecem.

5º. Chegam através de palavras chaves estranhíssimas:
Bom, alguns estão buscando sabe-se lá o quê e caem aqui. E voltam sempre! Talvez pelo fato do blog tratar de temas muito diferentes, e, principalmente, diferentes do que foi buscado. Ou porque gostaram do que leram aqui... Não sei. Segue uma lista das 3 mais estranhas até agora:

- Machucados horríveis de criança para ver; (?)
- Garotas de programa conquistam; (!)
- Mulheres negras transando. (!!!)

Claro que quando um blog é feito, quem o escreve tem em mente um tipo de público que pretende atingir. As pessoas costumam ter um tema sobre o qual discorrem constantemente. Mas esse nunca foi o meu caso! Quem vem sempre aqui sabe que escrevo por escrever apenas, já que acredito que compartilhar é bom.

E quando publicamos algo na internet estamos passíveis a tudo, todos os olhares, todas as visitas e todos os comentários (não nesse caso, já que ninguém comenta). Mas acho que não tinha me dado conta disso até surgirem visitantes que não fossem amigos meus. Talvez pelo fato de acreditar que ninguém lia o blog.

E para a minha surpresa são os ‘leitores anônimos invisíveis’, já não tão invisíveis assim, que compõem uma parcela significativa dos leitores!

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A 1ª poesia

terça-feira, 10 de junho de 2008

Perda

Uma vez eu amei
Não fui correspondida
Tentei reconquistar
Mas deixou uma ferida

Que ficou funda no peito
Que dói feito
Uma espada cravada
No fundo do coração

Meu coração hoje chora
A pessoa que perdi
Mas não sai da memória
Que também fui feliz

Gostaria de não ter sido tão feliz
Para depois sofrer
Preferiria ser infeliz
Para depois viver!


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Paixão x Amor

Como enganar a paixão
Dizendo a ela que o amor é mais interessante
Se no mundo ele não passa de idealização e utopia?

A paixão traz em si a vida!
O excesso de sentir
A embriaguez
O ciúme

Que o amor abranda...

Amor sentimos pela família
Pelos amigos
E quem sentirá pelo amor
A não ser a paixão?

A paixão ama o amor,
Embora quase nunca o tenha.
E o amor facilmente se apaixona pela silhueta,
atrás da cortina vermelha, onde reside a paixão.

Ame sua paixão!
Apaixone-se pelo seu amor...

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Ódio

I.
Odeio métrica
Por ser exata demais

Odeio rima
Pois força o sentimento

Odeio anagrama
Só porque parece matemática

Odeio odiar também
Mas é o que consigo no momento


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II.
Me eduquei tão bem para ser nobre
Que meus sentimentos nunca saem descabidos

Eles são treinados, educados e polidos
Que me afastam de qualquer contato exagerado

Que me prendem, me envolvem, me angustiam
Me envenenam, me consomem, me enlouquecem

Mas, mesmo com esforço,
O mais próximo que chego é de um 'Bom dia!'


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III.
Hoje não me sinto triste
Nem infeliz, nem culpada
Nem ansiosa

Nem louca, nem puta
Nem temerosa

Nem cega, nem apaixonada
Nem rancorosa

Que dia sem graça!


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Sempre igual

I.

Girassóis, pêra, fotografia
Anéis, cinzeiro, agonia
Colcha, livros, utopia
Flauta, violão, alegria

Sonho? Realidade? Fantasia?

Tudo é sempre a mesma coisa!


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II.
As questões são sempre as mesmas
Sendo elas tristes ou felizes

Não sei escrever sobre o que não sinto
Pois todos os sinônimos vertem dos mesmos chafarizes

Se repetem sem que eu perceba
Ganharam vida sem que eu visse

Reinventam o que não suporto
E sempre me dão novamente o que não tive


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III.
Já está na hora de ir embora, amor
Fuja de dentro de mim
Pegue a passagem sobre a mesa
E fim.


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IV.
A descrença chega a ser
mais crível do que incrível
Depende do que se acredita

Incrível seria acreditar na crença
sobre um lugar onde todos são felizes.


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Crise

terça-feira, 3 de junho de 2008

Segundo o minidicionário Aurélio que tenho aqui (desde a 1ª série! Super atualizado!), a crise é:

1. Manifestação súbita de acidente patológico ou psíquico.
2. Fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos sentimentos, dos fatos; colapso.
3. Deficiência, penúria.
4. Ponto de transição entre uma época de prosperidade e uma outra de depressão, ou vice-versa.


Segundo a Wikipédia:
“Oriunda do latin, o termo crise tem a mesma equivalência da palavra vento. Indica, assim, um estágio de alternância, no qual uma vez trasncorrido diferencia-se do que costumava ser. Não existe possibilidade de retorno aos antigos padrões.”

Hoje recebi um e-mail que falava sobre a Crise dos Vinte e Poucos. Me vi ali em inúmeros aspectos. Encaminhei aos amigos e comecei a ler tudo que pude encontrar sobre o assunto.

E aqui, direto do centro do meu umbigo, eu acreditava ser a única com 20 e poucos anos que estava em crise. Ô narcisismo infantil esse meu! Acreditava ser a única a não saber o que fazer profissionalmente, já que vejo pouca utilidade no diploma que demorei 5 anos para conseguir. Acreditava ser a única a começar se preocupar em estar sozinha, com a maioria das amigas casadas, com filhos ou namorando.

Sinto saudades absurdas da minha adolescência. De tudo que já fui um dia. E está sendo difícil fazer o luto dessa perda. Adorava ser quem eu era! Mas hoje sou tão careta, tão conservadora, que às vezes nem sei quem sou mais. E fico me perguntado onde foi parar aquela garota doida, baladeira e super liberal...

Eu imaginava que ser adulto era algo que acontecia da noite para o dia em algum momento da vida. Que eu iria dormir adolescente e acordar gente grande, com uma carreira, uma casa, um carro, dinheiro no bolso, um namorado. E tudo isso sem sentir dor.
Porém a única coisa que percebi foi que essa fase dos vinte e poucos anos é como passar por um nevoeiro de incertezas. E que não adianta buscar autonomia quando não se sabe para onde ir.

A transformação miraculosa em adulto não aconteceu. Embora eu já tenha encontrado 2 cabelos brancos e algumas rugas no meu rosto.

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Reler


E pensar que 14 anos da minha vida estão escritos ali
E pensar que muitas dúvidas continuam as mesmas
E pensar que a única diferença é que hoje é pedido para que sonhe menos...
E faça mais.
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Procurando o belo...

Tanta morte, tanta violência, tantos transtornos... Os seres humanos estão cada vez mais deixando aflorar seus piores lados, porque há um mercado infinito ávido por sangue, por tragédias, pelo lado obscuro da mente humana. Tal a popularidade de seriados como CSI, Criminal Minds, Law and Order, Cold Case... E fatos reais, como a morte da garota Isabella, os casos de seqüestros em porões da Europa e toda sorte de notícias bizarras que ganham os noticiários.

E confesso que também adorava essas coisas. Sou psicóloga e sempre me interessei pelo sombrio e inesperado guardado em cada um de nós. Mas hoje vejo isso como uma imensa falta de empatia e consideração pelas dores e sofrimento alheio. Ver a dor, estudá-la, tratá-la e ir para casa tomar um cafezinho depois, como se nada tivesse acontecido. Talvez eu não consiga ter mais a distância necessária para separar o que é meu e o que é do outro sem me deixar afetar e comover. E casos “pesados” me deixam terrivelmente mal.

Já não consigo mais me colocar naquele lugar de suposto saber... Isso seria vaidade demais para esse momento da minha vida.

Atendi pacientes com histórias dolorosíssimas, realmente tristes e acredito que tenha conseguido contribuir com alívio, acolhimento, compreensão... Mas hoje já não sou mais assim. Não sei se é porque ao ver tanta dor e, em alguns casos, maldade, eu estivesse começando a desacreditar a humanidade, ou se é pelo simples fato de querer cuidar de mim nesse momento. Das minhas dores e amores.

Uma coisa é fato: Não temos como dar para alguém algo que nos falta! E se nos falta compreensão de nós mesmos, não temos como compreender o outro.

Um amigo, também psicólogo, me disse: “Porque você não clinica? As pessoas com as maiores dores são as mais empáticas...”. Algo assim, logo após me contar um caso sobre um paciente pedófilo, que me causou intenso mal-estar.

Não clinico por um simples motivo: Não me sinto forte o bastante, hoje, para dar suporte à pessoas com histórias tão tristes! Não me faria bem, e dificilmente faria bem a elas.

Quero ainda encontrar a beleza nos seres humanos! Ter fé! Ver o lado bom! O que se torna extremamente complicado dentro de um consultório... Se no mundo já existe tanta desgraça, na internet, na televisão, por que farei do meu trabalho um desprazer?

Claro que não tem preço saber que você ajudou um paciente, ouvir um “muito obrigado” com lágrimas nos olhos, receber um abraço intenso de gratidão e alívio. Isso recompensa! Mas você sai de lá destruído, conhecedor de cada detalhe sórdido da personalidade humana...

Um dia isso foi atraente. Mas hoje já não é. Não é mais atraente olhar uma pessoa qualquer nas ruas, ou um amigo, e lembrar histórias ruins contadas por pacientes por conta de gestos, hábitos e costumes.

Acho que nós começamos a procurar o feio em tudo que olhamos. As coisas perdem o encanto, e com ele a possibilidade de serem diferentes, boas.

Que não simpatizo nem um pouco com a psicanálise, não é novidade e, no fundo, culpo um pouco o Freud, e a formação de orientação psicanalítica que tive, por excluir do homem suas potencialidades para o bem, para a melhora, para a cura, e por colocar dentro deles instâncias psíquicas que eles não têm acesso (inconscientes), e, portanto, não têm como lutar e nem prever o que pode acontecer no futuro. Talvez se a minha formação tivesse sido humanista isso seria diferente hoje e eu tivesse uma visão mais otimista.

Se sou uma psicóloga ruim? Absolutamente não! Pelo contrário, sempre recebi muitos elogios pelos meus atendimentos, na faculdade fui escolhida para expor meus casos para alunos de anos anteriores, minhas notas para as atividades práticas variavam entre 9,0 e 10,0, sempre fui extremamente ética com meus pacientes, sempre acolhi suas dores... Apenas quero ver o belo nos seres humanos, e voltar a acreditar que um mundo bom é possível!

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