O que vem da vida

domingo, 19 de outubro de 2008

Quando enxergamos tudo o que vem da vida como chances de crescimento e aprendizagem...
Quando aceitamos e, principalmente, agradecemos por essas coisas, sejam elas como forem...
Aí então não existe bom ou ruim, passamos a ver a beleza da vida enquanto possibilidade infinita, e podemos ser como quisermos.

É fácil agradecer um dia ensolarado, um presente, uma boa surpresa.
Mas sabedoria e paz só vêm com as tempestades, com a dor, com a saudade e com a nossa sensibilidade para agradecer por estarmos vivos, e sermos melhores pessoas, apesar de tudo.

Lamento, rancor e raiva são sentimentos humanos, mas não podem trazer felicidade. Não podemos nos impedir de sentir coisas, mas podemos escolher qual delas queremos alimentar.

Assim como você, sou feita de possibilidade...

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Fora de moda

Ser humano anda fora de moda. Respeito, auto-respeito, amor... Fora de moda também.
Para ser igual aos outros temos que ser diferente do que somos.

Temos que beijar estranhos numa balada onde sequer conseguimos descobrir seus nomes, seus gostos, suas idéias por causa do volume da música eletrônica, sem letra, sem sentimento. E se formos pra cama direto com o sujeito, melhor ainda.

É uma pressa, um desejo de prazer imediato, segunda-feira tudo volta ao normal, trabalho, escola, chefe, cobranças... Deve ser rápido!

Para sermos igual ao outro temos que beber o máximo que conseguirmos numa noite, para ficarmos anestesiados, dormentes, quase um sonho, e assim podermos fazer tudo. E se não for pra beber e apenas estar com os amigos, não vale a pena, melhor ficar em casa, afinal ‘quem não bebe não tem histórias para contar’.

E se todos estão fumando um baseado, temos que fumar também! Opa! O mundo não tem espaço para pessoas com atitudes conscientes e sobriedade. Está fora de moda, ninguém consegue suportar a dura ‘realidade’.

Desconfio que ser moderno e estar embriagado têm uma estreita relação. Desconfio.

Parar sermos inteligentes temos que gostar de filmes ‘cult’ e abominar comédias americanas! Quanto mais dor, mais incompreensível e mais junkie for o filme, melhor. E os livros? Poesia, literatura... Ah! Fora de moda também!

A moda também é não crer em Deus e para se sentir moderno tem que duvidar. Que primitivo é acreditar em alguém que nunca vimos! Lembrando que fazer sexo por fazer, com um estranho, nada tem de primitivo e animal (!).

A moda é ser descartável. No emprego, nas relações, nas atitudes. O que fazemos hoje, é hoje, amanhã não é mais. Os homens não sustentam mais sua palavra. Valores e princípios estão fora de moda.

Temos que usar all-star, camisa pólo listrada, cabelo jogadinho no rosto e óculos imensos. Não importa o que a gente gosta de usar, não está na moda.

E aquelas pessoas que se respeitam? Que respeitam seus corpos? Que respeitam suas almas? Seus gostos? Sua consciência? Seus amigos? Seus parceiros?

Elas estão fora de moda! São caretas e chatas... Como eu.

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Eu sou comum... Ah! Bastante comum!

domingo, 5 de outubro de 2008

Gosto das coisas antigas, de olhar pro céu, de pintar a unha de vermelho.
Oro no ônibus todo dia. Agradeço e agradeço!
As dores, os amores e o que ainda nem veio.

Gosto de salto alto, de bijuteria e das pintinhas de sol no meu rosto.
Escrevo, me apaixono, falo e sinto besteiras.
Cigarro e Coca-Cola. Gosto é gosto.

Gosto de fotos, de livros, de atos!
Converso com mendigos, corto meu cabelo, rio sozinha.
Meus gatos! Como amo meus gatos!

Não bebo, não cozinho, não mato, não faço dieta.
E não acredito em quem busca a consciência estando chapado.
Gosto de cactos, de poesia e de idéias.

Gosto de estar acompanhada e não me queixo por estar só.
Aliás, quase não me queixo.
O pior sentimento só pode ser dó.

Não gosto de café, de chuva e nem de ganhar flores.
E música deve ter voz, violão e sentimento.
Prefiro as que dizem das dores.

Sou inconstante, intensa, impaciente.
Gosto do imperfeito... Inacabado.
Gosto de gente!

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Acasos, destino, coincidências e sincronicidade

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Desde a adolescência a questão Acaso X Destino faz parte das conversinhas entre grupos de amigos. Uns dizem acreditar que ‘nada é por acaso’, outros dizem que sim, que seria sem graça demais se a vida estivesse predestinada, já que assim não importaria qual escolha fizéssemos que de qualquer maneira seria obra do destino. Não existiria livre-arbítrio.

E por aí as opiniões se dividem. E como encontrar um meio-termo capaz de dar conta da eterna dualidade homem/divino?

Sabe quando algo acontece na vida e de repente você encontra menções a esse ‘algo’ em todos os lugares? Por exemplo: Você quer comprar um carro, comenta isso com um amigo e a partir desse momento você passa a ver esse modelo de carro em todos os lugares. Ou então você descobre que tem uma doença e, da noite para o dia, várias pessoas com a mesma doença aparecem na sua vida.

A ciência positivista, cartesiana, diria que a partir do momento em que você começa a prestar atenção em algo, a sua mente fica atenta a tudo que for parecido, dando a impressão que a partir desse momento as coisas começaram a surgir na sua vida, porém elas sempre estiveram lá, você que nunca percebeu.

Algumas correntes da psicologia acreditam em algo semelhante. Acreditam na consciência intencional, na consciência de algo, digamos, a grosso modo, que a consciência ‘escolhe’ em que focar sua atenção. Ou então que esse carro, por exemplo, deixou de fazer parte do pano de fundo e passou a ser figura em sua vida, ganhando um papel de importância.

Será?

Um outro termo, chamado sincronicidade, parece se fazer necessário em algumas situações. A sincronicidade seria basicamente uma junção de eventos significativos para o sujeito que culminam num insight, numa compreensão maior do acontecimento, podendo envolver uma ou mais pessoas e ter um significado semelhante para todas elas.

Existem inúmeras situações de sincronicidade, algumas vezes pensamos em uma pessoa e em seguida ela nos liga dizendo que estava pensando na gente, sem nenhum motivo aparente para essa lembrança inesperada. Algumas vezes estamos em dúvida quanto a uma decisão difícil de ser tomada e, de repente, pegamos uma revista qualquer e lá está uma matéria imensa que trata absolutamente da mesma questão que está nos afligindo. E quando pensamos em visitar algum lugar até então desconhecido para o nosso círculo social e, do nada, sem que comentássemos com alguém, uma pessoa chega contando que foi para tal lugar no final de semana?

Mero acaso? Mera coincidência? Destino? Sincronicidade?

O que te vem à cabeça quando pensa palavras como: Sincronia, sincronismo, sincronizado?

Normalmente pensamos em sintonia, movimentos iguais, harmonia...
E porque seria tão estranho pensar que, se estamos sincronizados, sintonizados, com o pensamento de mais pessoas, isso seria um facilitador para que essas pessoas se aproximem da gente? Afinal sabemos que as pessoas se unem por afinidades, sejam ideológicas, estéticas, laborais, mas de qualquer maneira se unem por afinidades, e porque não afinidades de pensamento?

Então, antes de pensar na dicotomia Acaso x Destino, porque não podemos simplesmente acreditar que na medida em que pensamos e desejamos, atraímos para perto os objetos desse desejo?

Não seria mero acaso, muito menos mero destino... Seria busca!

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