A beleza do meu útero

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Alguma vez você já parou para pensar o quanto são absurdas nossas práticas de beleza e saúde?


Para ter um sorriso bonito, dá-lhe brocas, raspagens que sangram as gengivas, pinças, aparelhos dentários que nos remetem aos aparelhos de tortura medieval.


Para ter os cabelos lisos e certinhos, dá-lhe chapinha, escova, produtos químicos com cheiros insuportáveis e tudo isso durante o verão brasileiro, que torna os rituais ainda mais quentes e desagradáveis.


Para pêlos loirinhos, descolorantes que ardem a pele e a pobre moça fica pulando igual uma macaca até dar o tempo de tirar.


E depilação? A cera fervente em cima da pele, retirada de surpresa para o seu espanto, dor e desconforto.


No oftalmologista dilatamos a pupila até um ponto onde não é possível enxergar um sofá com nitidez.


Na fonoaudióloga injetam líquidos quentes em nossos ouvidos para que percamos a noção de tempo, e principalmente, espaço.


No gastro te introduzem um tubo goela abaixo.


No neurologista colam eletrodos ligados a fios por toda sua cabeça.


E a ginecologista vem falar que meu útero é lindo e cor-de-rosa depois de me deixar minutos com aquele bico-de-pato enquanto fuça dentro de mim?


Tenha dó!

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O homem na seção de lingerie

Você ouve o anúncio no rádio e na TV: “Super Liquidação de Verão! Todas as peças com até 80% de desconto! Venham conferir!”. E você vai.


Anda a loja inteira, experimenta milhares de roupas bacanas. Passa pelas blusinhas, shorts, saias, bolsas, sapatos... E chega à seção de lingerie! Tudo em promoção!


Você pensa que é hora de comprar coisinhas novas.


Entra ali pela parte tamanho GG, onde todas as peças são beges. Essa parte da seção normalmente é a que dá de frente para o corredor nas lojas de departamentos (e normalmente fica ao lado dos pijamas de bichinhos).

Vai até as calcinhas cor-de-rosa tamanho normal.

Chega às calcinhas de lateral bem fininha e parte de trás grandona.

E então avista aquelas pecinhas minúsculas pretas, vermelhas, de oncinha, tigrinho, cheias de lacinhos, transparências, que cobrem exatamente a marca daquele seu biquíni novo.


Vorazmente chega até o corredor delas. Não vê mais nada a sua volta.


Mas, de repente, ele surge: Cara de tonto, bolsa feminina pendurada transversalmente, diversas sacolas de compras, um ar de quem está viajando ali enquanto espera sua esposa olhar as calcinhas beges GG e os pijamões de bichinho, e para bem, mas bem, em frente às calcinhas pequeninas que você havia avistado.


Você dá uma volta no corredor. Tenta olhar por cima de seus ombros. E nada. Desiste e vai ver outras coisas.


Agora me diz, por que esses babacas não esperam na seção de meias ou no corredor?

Afinal, ninguém é obrigado a escolher suas calcinhas do lado de um marmanjo com cara de tonto!


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